A educação parou: greve municipal tem 90% de adesão

Uma emocionante e histórica passeata ocupou as ruas da zona sul do Rio de Janeiro no dia 14 de agosto. Quinze mil profissionais da Rede Municipal de educação abrilhantaram o caminho com os mais variados cartazes e maneiras de expressão. A categoria estava animada, muitos afirmavam que finalmente professores, merendeira, auxiliares de creche, inspetores e profissionais administrativos levantaram a cabeça e deram um BASTA à política educacional da Secretária Claudia Costin. Os profissionais denunciaram que esta é uma política autoritária que destruiu a autonomia pedagógica e a democracia interna. Entre outras propostas, reivindicavam 19% de reajuste emergencial e Plano de Carreira Unificado.

A assembleia ocorreu no Largo do Machado, também na zona sul, e marchou até o Palácio da Cidade, em Botafogo. Pelo caminho a passeata ganhou muitas demonstrações de apoio e adeptos. As ruas foram tomadas pelos adesivos de “Fora Cabral, Vá Com Paes” e “Educação em Greve”.

Está na hora do governo de Eduardo Paes (PMDB) refletir sobre o que levou, após 19 anos, a maior rede de educação da América Latina a se levantar e ocupar massivamente as ruas da cidade do Rio de Janeiro.

As manifestações que começaram em junho marcaram o início de uma nova era, onde nada passará mais impune. Muitas mazelas foram empurradas goela abaixo da população em variados setores: saúde, transporte, remoções etc. Com a educação não foi diferente. Hoje é o momento de repensar toda a política aplicada e transformá-la.

No Palácio da Cidade, os profissionais se depararam com os portões fechados e a ausência de expediente. No final da tarde o governo convocou o Sindicato dos Profissionais de Educação (SEPE) para negociar. Todavia, ao invés do prefeito, a reunião foi com o secretário de governo Pedro Paulo (PMDB) e o vice-prefeito Adilson Pires (PT). O diálogo ocorreu com um tom equivocado. O secretário ofereceu um grupo de trabalho para fomentar um Plano de Carreira Unificado, que resolva algumas distorções salariais, como a equiparação dos professores II com os professores I e a paridade. Propôs também o cumprimento da lei do 1/3 para o planejamento de aula. Nada além. Os profissionais foram intimidados a acabar com a greve e retornar para as salas de aula no próximo dia 15. Caso contrário, a prefeitura recuará em todas as questões e cortará o ponto de todos/as que aderiram à greve. Para muitos profissionais, esta foi uma ameaça à categoria inaceitável.

O SEPE deixou claro na audiência que quem pode suspender a greve é a categoria e que esta decidirá os rumos da greve na terça-feira, 20 de agosto. Até lá, a greve continua.

Os profissionais da educação não entraram na greve por um único ponto, ou apenas por uma negociação salarial. A categoria rejeita totalmente a política meritocrática e de privatização velada da Rede Pública de Ensino. São muitos convênios com empresas privadas, muita verba pública direcionada para esses projetos ao invés de garantir um salário digno e um reajuste justo.

Agenda do movimento:

Terça-feira, 20 de agosto, assembleia seguida de Ato da Rede Municipal.

Quarta-feira, 21 de agosto, Ato Unificado pela Educação (Redes Municipal, Estadual e FAETC).

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