Tarifa zero nos ônibus é possível

Nada é mais natural do que pagar passagem de ônibus, certo? Errado.

Desde julho de 1994, quando a passagem custava R$ 0,35, até os dias atuais, quando a tarifa chegou a R$ 2,75, o preço da passagem aumentou 743%, enquanto a inflação (calculada pelo IPCA) foi de 332%. Caso a tarifa acompanhasse a inflação, hoje ela deveria custar R$ 1,41. Tarifa cara, custo de vida maior. O gasto com transporte representa 28% da renda das pessoas, além de não ser capaz de desestimular o uso de carro, o que aumenta o trânsito e polui mais a cidade. Com a tarifa mais barata, o custo de vida diminui, melhora a distribuição de renda e há um desestimulo ao uso do carro.

Apesar de tudo isso, a tarifa zero é possível?

Sim e existem duas maneiras para alcançar isso: a municipalização do sistema de ônibus ou a criação da empresa carioca de ônibus.

Municipalização: Ao invés de licitar as linhas e dar o direito às empresas de cobrarem a tarifa, a prefeitura deveria licitar por quilometro rodado. Assim, separaríamos o custo da tarifa. As empresas seriam remuneradas a partir dos seus custos e a tarifa passaria a ser uma decisão da prefeitura, independente das empresas.

Criação da Empresa Carioca de Ônibus: A outra forma seria a prefeitura fornecer diretamente o serviço, criando a Empresa Carioca de Ônibus. A Comlurb, por exemplo, é a empresa de limpeza urbana mais eficiente do mundo. Poderíamos ter uma empresa pública e eficiente.

De um jeito ou de outro, o importante é a prefeitura controlar a tarifa.

Muitos podem perguntar: mas se a tarifa for zero, a prefeitura não terá prejuízo? Não.

Hoje, como as empresas são isentas de impostos, quando você paga a passagem nenhum centavo vai para o cofre público e tudo fica com as empresas. Se a tarifa for zerada, o dinheiro que hoje é gasto com ônibus será gasto com outras coisas, e 30% voltariam em forma de impostos para o caixa do governo, ou seja, a sociedade hoje paga para andar de ônibus. Com a tarifa zero o lucro dos empresários seria reduzido e a arrecadação da prefeitura aumentaria. A conclusão é que pagaríamos menos para andar de ônibus e melhoraríamos em muito a qualidade do serviço e a qualidade de vida das pessoas.

A tarifa zero já existe em várias cidades do mundo, como Sydney (Austrália), Talinn (Estônia), Changning (China), Baltimore (EUA). No Brasil existe em Porto Real (RJ) e Agudos (SP). Agora, é a hora de lutar por tarifa zero no Rio de Janeiro, porque “Nada deve parecer Natural. Nada deve parecer impossível de mudar.”

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