Engenhão: sai João Havelange, entra João Saldanha

O debate sobre o projeto de lei 219/2013, que propõe a troca do nome do Engenhão para Estádio Municipal Olímpico João Saldanha, de autoria dos vereadores do PSOL Renato Cinco, Eliomar Coelho e Paulo Pinheiro, trouxe torcedores de todos os times do Rio de Janeiro para o plenário da Câmara.

“Como oferecer uma honraria a uma pessoa [Havelange] que foi obrigada a renunciar porque conclusões apontavam crimes na sua administração?”, perguntou Renato Cinco.

A Justiça suíça confirmou que o dirigente, e o ex-genro Ricardo Teixeira, receberam pelo menos R$ 26 milhões de propina da empresa de marketing que detinha os direitos de transmissão da Copa do Mundo entre 92 e 97.

“João Saldanha, não só denunciou os crimes da ditadura militar pelo mundo, como sempre foi um defensor do futebol popular, em que a participação do povo nos estádios é ingrediente essencial”, completou o vereador. Participaram do encontro, o pesquisador Raul Milliet Filho, sobrinho do comentarista esportivo, Adalberto Leite Martins, ex-goleiro do Botafogo, Nelson Rodrigues Filho, Gustavo Mehl, do Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, e o estudante Gabriel Marinho dos Santos, da Frente Nacional dos Torcedores.

A troca de “João” no Engenhão ganhou o apoio dos debatedores e dos presentes na audiência que reuniu, entre os torcedores da proposta, o jornalista Milton Temer, o jogador Afonsinho, o historiador Joel Rufino dos Santos e o Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL). Uma moção em homenagem a Saldanha, entregue a Milliet Filho por Paulo Oliveira, secretário político do PCB, já dava mostra da adesão ao projeto na Câmara Rio: o documento foi assinado por mais de 30 parlamentares.

Para Nelson Rodrigues Filho, Saldanha foi uma figura emblemática porque desafiou a ditadura através do futebol. Milliet lembrou a importância do ex-técnico na preparação da seleção brasileira de 70, da qual foi afastado por motivos políticos. Como comentarista, Saldanha inovou na linguagem e sempre defendeu uma política de esporte voltada para o cidadão, acrescentou.

Paulo Pinheiro listou revisões de homenagens “altamente duvidosas” como a Ponte Salazar, em Lisboa, que virou Ponte 25 de Abril, ou a Ciudad Presidente Stroessner, no Paraguai, que ganhou o nome de Ciudad del Este, depois que o ditador foi derrubado. O projeto de lei dos parlamentares do PSOL tem como objetivo não só homenagear João Saldanha como fazer uma reparação, suprimindo o nome de Havelange da fachada do Engenhão.

O vereador Eliomar Coelho concluiu: “Havelange não tem currículo, tem folha corrida. Saldanha sempre esteve comprometido com as lutas democráticas”.

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