Congresso sobre drogas defende a legalização e ataca PL 7663/10

No último final de semana, o Museu da República, em Brasília, recebeu mais de 700 pessoas para participar do Congresso Internacional sobre Drogas. Nos três dias de debates e exposições, o discurso foi pautado pelo ataque ao fracassado proibicionismo e pela bandeira da legalização das drogas.

No sábado, enquanto os debates seguiam no auditório, aconteceu a primeira Marcha da Maconha de 2013. Cerca de 5 mil ativistas de Brasília e participantes do Congresso passaram pela rodoviária da cidade e seguiram até a torre de TV, onde foi formada uma imensa folha de maconha humana.

O projeto de lei 7663/10, do Deputado Osmar Terra, que fortalece a política de internações compulsórias, foi duramente criticado por diversos participantes das mesas de debate. O vereador Renato Cinco, que participou da mesa “Propostas para a Regulamentação da Cannabis” lamentou o acordo feito pelo PT para aprovar o PL 7663.

No final do encontro, os organizadores apresentaram a Carta de Brasília em Defesa da Razão e da Vida, que aborda as principais propostas defendidas durante o Congresso, que reproduzimos abaixo.

“O “Congresso Internacional sobre Drogas: Lei, Saúde e Sociedade” foi realizado entre 3 e 5 de maio de 2013, no Museu da República em Brasília, para fomentar o diálogo sobre o tema das drogas. Nós, participantes do Congresso e signatários desta carta, constatamos que a política proibicionista causa danos sociais gravíssimos que não podem persistir. Não há evidência médica, científica, jurídica, econômica ou policial para a proibição. Entretanto, identificamos alarmados um risco de retrocesso iminente, em virtude do Projeto de Lei 7663/10, de autoria do Deputado Osmar Terra (PMDB/RS), atualmente em tramitação na Câmara dos Deputados, relatado pelo Deputado Federal Givaldo Carimbão (PSB/AL).

Entre vários equívocos, o projeto prioriza internação forçada de dependentes químicos. Vemos com indignação que autoridades do Governo Federal se pronunciam a favor dessa prática. Conforme apontado pelo relator especial sobre tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes junto ao conselho de direitos humanos da Organização das Nações Unidas, a internação forçada de dependentes químicos constitui tortura. Tendo em vista a trajetória política, compromisso com os direitos humanos e experiência pessoal em relação à tortura da Presidenta Dilma Roussef, é inadmissível que o Governo Federal venha a apoiar a internação forçada. Entendemos que a aplicação dessa medida no Brasil atual representa a volta da política de higienização e segregação de classe e etnia.

Mesmo em suas versões mais brandas, o proibicionismo infringe garantias fundamentais previstas na Constituição da República, corrompe todas as esferas da sociedade, impede a pesquisa, interdita o debate e intoxica o pensamento coletivo. A tentativa de voltar a criminalizar usuários e aumentar penas relacionadas ao tráfico de drogas é um desastre, na contramão do que ocorre em diversos países da América e Europa, contribuindo para aumentar ainda mais o super-encarceramento e a criminalização da pobreza. A exemplo das Supremas Cortes da Argentina e da Colômbia, é preciso que o Supremo Tribunal Federal declare com urgência a inconstitucionalidade das regras criminalizadoras da posse de drogas ilícitas para uso pessoal. Em última instância, legalizar, regulamentar e taxar todas as drogas, priorizando a redução de riscos e danos, anistiando infratores de crimes não violentos e investindo em emprego, educação, saúde, moradia, cultura e esporte são as únicas medidas capazes de acabar efetivamente com o tráfico, com a violência e com as mortes de nosso jovens. É um imperativo ético e científico de nosso tempo, em defesa da razão e da vida humana.”

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