Renato Cinco participa do seminário “Direitos Humanos – Ontem e Hoje” na ABI

Como parte integrante das comemorações dos 105 anos da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), foi promovido, no último dia 9, no edifício-sede da entidade, o seminário “Direitos Humanos – Ontem e Hoje”, com participação destacada do Vereador Renato Cinco.

Participaram da primeira mesa de debates o advogado paraguaio Martin Almada, pesquisador dos arquivos da Operação Condor; a professora Nadine Borges; integrantes da recém-criada Comissão da Verdade do Estado do Rio de Janeiro; Victoria Grabois, do Grupo Tortura Nunca Mais-RJ; e o advogado Modesto da Silveira, Conselheiro da ABI e membro da Comissão de Ética Pública, da Presidência da República. A segunda mesa reuniu o cineasta Silvio Tendler, o professor Michel Misse, do Departamento de Sociologia e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia do IFCS-UFRJ e Coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ – NECVU; o jornalista André Fernandes, Diretor da Agência de Notícias das Favelas e pesquisador sobre questões de violência em áreas segregadas; e o Sociólogo e Vereador pela Cidade do Rio de Janeiro, Renato Cinco (PSOL). Mediaram as mesas, os jornalistas Mario Augusto Jakobskind e Daniel Mazola, Conselheiros da ABI e respectivamente presidente e secretário da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da entidade.

Durante a primeira mesa, o Seminário debateu principalmente a forte ligação cultural da tortura do passado com o presente, sustentada atualmente pela criminalização da pobreza, e como a Comissão da Verdade pode ajudar a passar a limpo os crimes cometidos pelos governos militares. Martin Almada foi categórico ao afirmar que as investigações sobre a Operação Condor poderão explicar muitas mortes e desaparecimentos de opositores das ditaduras militares do Cone Sul e até de lideranças políticas expressivas, que permanecem misteriosas.

Segundo o advogado e educador paraguaio, descoberto em 1992, o chamado Arquivo do Terror – quatro toneladas de documentos guardados pela polícia política do Paraguai durante a ditadura de Alfredo Stroessner –, guarda, no 8º andar do Palácio da Justiça, no centro de Assunção, indícios da intenção de perseguir e eliminar os opositores das ditaduras e provas da existência da colaboração entre os governos do Brasil, Paraguai, Argentina, Chile e Uruguai. Um desses documentos é uma carta enviada, no dia 28 de agosto de 1975, pelo então chefe do serviço secreto chileno, coronel Manuel Contreras, para o general de divisão João Baptista Figueiredo, então chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), que viria a ser o último presidente da ditadura empresarial-militar apoiada pela CIA.

A respeito do desrespeito aos Direitos Humanos, hoje na Cidade do Rio de Janeiro, o Vereador Renato Cinco (PSOL) destacou as características de projeto desenvolvimentista fundado na lógica da exclusão social. Falou que a “guerra ao crack” faz parte de um projeto de cidade que está em curso, da lógica de um modelo de cidade mercadoria e apartada, lembrou que estão fazendo uma “limpeza social” nas áreas valorizadas. Disse também que o governador quer discutir o modelo de privatização, mas não quer discutir se deve ou não privatizar, “estão tentando legitimar uma decisão que o governo tomou sem consultar a população”. Falou que deu entrada no pedido de CPI da Internação Compulsória em seu primeiro dia de mandato porque entende que o tema é fundamental para barrar uma série de violações de Direitos Humanos que estão ocorrendo, e que está angariando apoio de diversas instituições, entidades e movimentos sociais para que 17 dos 51 Vereadores assinem o documento para que a CPI seja instalada.

Pausa do cafezinho

Em conversa com Martin Almada, durante a pausa do cafezinho para a segunda mesa, Renato Cinco (PSOL) disse que é preciso lembrar que os megaeventos estão submetidos à lógica da desigualdade social, e que estão entregando à especulação imobiliária territórios ocupados por populações de baixa renda.


Ao final, o plenário teve vez e voz, muitas perguntas foram feitas e elucidadas. Estavam presentes dezenas de parentes de desaparecidos políticos e do representante da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O sentimento geral foi de que estamos avançando mesmo a passos lentos, segundo Almada, os documentos encontrados em 1992 no Paraguai também podem ajudar nas investigações aqui, onde quase tudo foi certamente queimado. Mais uma vez, a ABI prestou relevante serviço à sociedade brasileira.

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