Lançada a consulta pública para gestão do Complexo do Maracanã

Com o Seminário “O Maraca é nosso! A Copa que queremos”, que ocorreu no dia 28 de fevereiro, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) deu continuidade aos eventos que vem apoiando e promovendo para debater os megaeventos de 2014 e 2016, em defesa da sociedade e do esporte brasileiro, a exemplo do último que ocorreu no dia 31 de janeiro, e que apoiou a manutenção do Estádio de Atletismo Célio de Barros.

O evento reuniu mais de 500 pessoas, contou com três mesas de debate, que auxiliaram a tomada de consciência do cidadão sobre a forma como vem sendo construído o megaevento do próximo ano. A sessão de abertura foi conduzida pelo Presidente da ABI, o jornalista Maurício Azêdo. Atletas, professores, estudantes, índios, pesquisadores, parlamentares, jornalistas e o público em geral debateram temas relacionados à organização da Copa do Mundo de 2014, as medidas que vêm sendo tomadas com o dinheiro público, e o incentivo a projetos de infraestrutura que precisam representar um legado em benefício da população.

Foi apresentada a proposta do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas de fazer exatamente o que o governo estadual esqueceu, um debate democrático, no qual os donos do complexo – a população como um todo e especialmente seus usuários – serão ouvidos sobre o futuro do estádio e dos equipamentos no seu entorno.

Parlamentares em defesa do interesse público

A primeira mesa de debates, com o tema “O custo da Copa e seu legado”, reuniu os vereadores Renato Cinco (PSOL) e Reimont (PT) e os deputados estaduais Marcelo Freixo (PSOL), Paulo Ramos (PDT) e Clarissa Garotinho (PR). Os parlamentares debateram principalmente os caminhos que o Legislativo pode adotar para tentar barrar a privatização do estádio. O jornalista Daniel Mazola, Conselheiro da ABI, e membro Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da Casa, mediou a discussão.

O vereador Renato Cinco (PSOL-RJ) falou que a “guerra ao crack” faz parte de um projeto de cidade que está em curso, da lógica de um modelo de cidade mercadoria e apartada, lembrou que estão fazendo uma “limpeza social” nas áreas de valorização imobiliária e de interesse de mercado e que muitas violações de direitos humanos estão ocorrendo, além da suspeita de desvio de verbas públicas. Lembrou também que o governador quer discutir o modelo de privatização, mas não quer discutir se deve ou não privatizar, “estão tentando legitimar uma decisão que o governo tomou sem consultar a população”. Renato Cinco aproveitou a ocasião para lembrar que deu entrada no pedido de CPI da Internação Compulsória em seu primeiro dia de plenário na Câmara, e que agora o pedido precisa de 17 vereadores para que a Comissão Parlamentar de Inquérito seja instalada.

O Deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ) anunciou o lançamento oficial do abaixo-assinado contra o projeto de construção de um centro de convenções no Aterro do Flamengo, apresentado pelo Grupo EBX, do empresário Eike Batista. A obra prevê ainda a construção de lojas e de um espigão. O abaixo-assinado contra a privatização do Aterro do Flamengo recebeu as primeiras assinaturas durante o Seminário. O Deputado afirmou que, enquanto diversas demandas da sociedade e políticas públicas são represadas, diversas medidas estão sendo adotadas a todo custo para garantir a realização desses megaeventos.

Principais afetados se emocionam

O tema da segunda mesa de debates foi, Complexo do Maracanã, contou com representantes de todos os grupos atingidos. Reuniu o cacique Carlos Tucano e José Guajajara, da Aldeia Maracanã; Lucas Pedretti, da Frente Nacional de Torcedores do Rio de Janeiro; a professora Edneilda Freire, representante do Coletivo de Atletas do Célio de Barros; a atleta Monica Lages do Amaral, Seleção Brasileira Juvenil de Saltos Ornamentais; e Carlos Ehlers, da Comissão de Pais de alunos da Escola Municipal Friedenreich. A discussão foi mediada por Roberto Morales, coordenador do Comitê Popular Rio da Copa e das Olimpíadas.

Os principais afetados pelo processo irregular de concessão do Maracanã – atletas, estudantes e seus pais, torcedores e indígenas, destacaram a intransigência com a qual vêm sendo tratados. A atleta Monica Lages do Amaral, de 17 anos, se emocionou ao falar da possibilidade de perder a única piscina adequada ao esporte no estado, a do Parque Aquático Julio Delamare, que pode ser demolida para dar lugar a estacionamentos e um shopping.

“Quando chega nas Olimpíadas, todo mundo fala que não há resultado. Mas, se olhamos direito, vemos que o problema é que não há uma estrutura. Estou há treze anos treinando diariamente. Tão perto das Olimpíadas na minha cidade, que pode ser a minha primeira, o processo vai ser interrompido. Querem passar a gente para o Parque Maria Lenk, mas lá não tem estrutura para os saltos. Só que não há ninguém preocupado com isso além da gente. O foco para 2016 não está em medalhas, mas no dinheiro”, disse Monica.

Consulta Popular

Antes da terceira e última plenária, Gustavo Mehl, do Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, um dos grandes lutadores em defesa do complexo do Maracanã, apresentou o processo de consulta pública para a Gestão do Maracanã, fundamental para alterar o curso dos acontecimentos, e informou que outros atos e manifestações estão programados: “Queremos mostrar ao governo que a população está mobilizada, que pode oferecer uma resposta à absurda venda, feita sem nenhum tipo de diálogo. Hoje, começamos a receber sugestões pelo e-mail consultadomaraca@gmail.com, e vamos colocar no ar uma ferramenta específica para coleta de opiniões”.

Compuseram a terceira mesa o professor e escritor Luiz Antonio Simas; o jornalista Lúcio de Castro, da ESPN; Mário Augusto Jakobskind, Presidente da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI; Gustavo Mehl, do Comitê Popular Rio da Copa, que debateram “Projeto alternativo”, sob a mediação de Daniel Mazola.

Em uma das rodadas de respostas desta última plenária, o jornalista Lúcio de Castro afirmou que os torcedores estão sendo extremamente afetados pela elitização do futebol, geraldinos e arquibaldos não vão passar nem perto dos estádios, que serão transformados em “arenas” que inviabilizam nossa cultura e forma de torcer. Para o professor Luiz Simas, os trabalhadores de classe média e baixa estão sofrendo com a especulação imobiliária e o aumento do custo de vida em função da supervalorização de certas áreas da cidade; arbitrariedades estão sendo cometidas e estão previstas mais remoções de famílias em comunidades por todo o Brasil.

“O Maraca é nosso! A Copa que queremos” foi um importante espaço de debate sobre os megaeventos e reforçou a união da centenária ABI ao Comitê Popular da Copa e das Olimpíadas, em defesa do Complexo do Maracanã. Outras mesas de debate ocorrerão durante a Copa das Confederações, estaremos participando e divulgando!

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